Perplexidade certa, na hora errada

julho 09, 2009 ·

Defender o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), não é o caso. Porém, dá pra cobrar um pouco mais de memória àqueles que decidiram personalizar nele todo o complexo quadro de problemas que a Casa hoje apresenta, dentro de um cenário que diz respeito a uma fase de, pelo menos, 14 anos.

O problema realmente começou com Sarney, a quem coube nomear o “celebrado” Agaciel Maia como diretor-geral do Senado, em 1995, pode estar chegando ao fim com ele, mas, visto em perspectiva, envolve muito mais gente no capítulo das responsabilidades. Alguns, inclusive, que hoje posam de vestais.

Sarney, como já dito, é indefensável. Neste episódio e na maior parte dos que permeiam sua vida pública. A prática política que simboliza marca-se pelo oportunismo, apresenta elementos coronelísticos em boa parte do que está relacionado à sua ação local (no Maranhão ou no Amapá), enfim, razões há para que se considere justificável que as acusações colem nele com tanta naturalidade.

Este é um lado da questão. No outro, observa-se uma dissimulação que a maturidade democrática brasileira já exige que seja identificada e combatida. Os discursos contra Sarney, e os contra Agaciel também, dão a entender que somente agora descobriu-se o que acontecia ali no Senado, aos olhos de todos eles.

Os sinais exteriores de riqueza do ex-diretor do Senado eram exteriores demais para merecerem os olhos arregalados agora de quem com ele conviveu por tanto tempo. Alguns, até, também no estágio pessoal.

O superpoder era flagrante, a naturalidade com que se falava do tal “82º senador”, quando o eleitor pra lá tinha mandado apenas 81, escondia uma esquisitice que deveria ter merecido atenção de todos há muito mais tempo. Inclusive de nós, jornalistas.

De novo, como em outras crises recentes da política nacional, simplifica-se o debate apontando o dedo para “o” responsável, no máximo “os dois responsáveis”, criando a falsa impressão de que é só tirá-lo(s) do caminho para voltar-se ao curso natural.

A experiência mostra que não é assim. É só visitar a última situação semelhante, vivenciada no próprio Senado. O diabo estava incorporado no então presidente Renan Calheiros, alagoano e também do PMDB, objeto de um debate nacional diário, de escândalos que se sucediam até que renunciou, abatido por um rolo-compressor. Como por encanto, devolvido Renan à planície da Casa, tudo parecia ter voltado à normalidade.

Vimos hoje, porém, que no campo da realidade tudo continuou na mesma. As causas permanecem intocáveis, da mesma forma que permanecerão se prevalecer a crença de que a saída de Sarney e de Agaciel bastará.

Até servirá para acalmar ânimos, satisfer egos e atender discursos políticos, mas, ao final, apenas se estará abrindo uma nova etapa de contagem até que se chegue à próxima crise e às próximas vítimas.

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