Choró - Sanfoneiro supera desafios

junho 28, 2009 ·

Manoel Gonzaga perdeu a visão quando tinha 15 anos de idade. Desde então, ganha a vida tocando sanfona em apresentações nas praças e festas privadas (Foto: ANTÔNIO CARLOS ALVES)


A perda da visão quando ainda era jovem não limitou Manoel Gonzaga na arte da sanfona de 80 baixos

Choró. Um cego que toca e encanta. É assim que Manoel Gonzaga Pinheiro, de 55 anos, que reside no município de Choró, se apresenta para seu público sempre em festas religiosas, casamentos, batizados, vaquejadas, aniversários e festas juninas na região. Ele sobrevive do toque da sanfona desde os 15 anos de idade, quando perdeu a visão.

A cada pedido musical ele mostra a sua arte, levar a música tocada com o coração, um bem sem escolher a quem. Homem simples, aposentado por tornar-se portador de deficiência visual, ele recebe do Instituto Nacional de Seguridade Social R$ 415,00. Mesmo assim, diz gostar do que faz. “Esse é meu mundo: tocar sanfona”.

Mensalmente o fã de Luiz Gonzaga gasta com remédios e alimentação uma média de R$ 300,00. Fica R$ 115,00 para as despesas das viagens em suas apresentações sertão afora.

Sempre acompanhado dos seus inseparáveis amigos Otacílio Primo de Oliveira e Elizabethe Ferreira Arruda, o sanfoneiro, que tem uma visão privilegiada dos teclados da sua sanfona — uma Universal de 80 baixos comprada por R$ 400,00 — vai ganhando a vida sem muita pressa, no entanto, com alegria. “Fiquei órfão de pai e mãe com um mês de nascido e fui criado por meus familiares, que também são pobres, mas com o passar do tempo tive que buscar uma profissão para sobreviver. Foi uma vida muito difícil, como ainda hoje é. Cheguei a passar fome, mas Deus foi generoso comigo, me deu essa arte”, agradece seu Manoel. “Eu ainda estou tocando porque meu amigo Otacílio, que me ajuda tocando pandeiro, ajeitou o instrumento que tem os teclados quebrados”, afirma o homem que leva o nome de Gonzaga, o Luiz “Rei do Baião”, o maior sanfoneiro do Brasil.

Segundo Manoel, seu grande sonho é um dia poder tocar ao lado de Valdonys, Dedim Gouveia e Dominguinhos. Mas enquanto esse encontro não chega, o melhor mesmo é ir tocando a vida, ou melhor, sua sanfona velha, como dizia Luiz Gonzaga. “Se um dia encontrar com o governador Cid Gomes, vou pedir a ele uma sanfona nova de presente. Tenho certeza que ele é um homem de bom coração e não me negaria o pedido”, sonha seu Manoel Gonzaga, que perdeu a visão por completo ainda jovem.

Por cada apresentação, o sanfoneiro andarilho não tem cachê certo. Recebe ajuda das pessoas presentes nas apresentações. “Aqueles que são conhecedores da arte de tocar sanfona chegam a colocar na bandeja até R$ 50,00, mas tem muitos que não colocam nada”, lamenta o artista.

Para seu Manoel Gonzaga, os momentos mais inesquecíveis de sua vida e que ficaram gravados na memória foram suas participações nas festas de São Francisco das Chagas do Canindé, que anualmente ocorrem de 24 de setembro a 4 de outubro, e na noite de Natal, também na terra da fé.

Otacílio de Oliveira, que viaja pelas cidades cearenses acompanhando o sanfoneiro, diz que ele mora em sua residência e, que seu Gonzaga tornou-se uma espécie de irmão. “Nós gostamos muito dele, é uma pessoa humilde, não tem maldade no coração. Tudo que ele mais quer na vida é continuar tendo esse privilégio de tocar sanfona e nada mais”, revela o companheiro.

Dona Elizabethe, esposa de seu Otacílio, compara Manoel Gonzaga a uma criança. “Durante suas folgas, nos momentos que ele está sem tocar, seu divertimento é ouvir as músicas de Luiz Gonzaga. É tudo para ele”, comenta ela.

Enquanto não chega o presente de uma sanfona nova, seu Gonzaga vai arrastando o fole nos 80 baixos que ainda resiste ao tempo.

Mais informações:Manoel Gonzaga, Rua São Sebastião, 216, Choró

Diário do Nordeste

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