Cedro agoniza em Quixadá

maio 17, 2009 ·


Diego Lage

Especial para O POVO

O reservatório mais antigo do Ceará continua agonizando em Quixadá, no Sertão Central. O açude Cedro, inaugurado há mais de um século, começou o ano acumulando menos de 5% de sua capacidade e, atualmente, está com 17%. Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), é “crítico” o nível de armazenamento.


As estatísticas do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) detalham que o manancial, com capacidade para 126 milhões de metros cúbicos, não ultrapassa 40% de seu volume total desde o início da década passada.


A história do açude, porém, também conta dias de fartura. O Cedro, há 20 anos, começava a derramar suas águas pela última vez.


As secas castigavam a região no fim do século XIX. O Império, em 1880, determinou a elaboração de estudos para a construção de açudes. Nove anos depois começavam as obras do Cedro.


Os trabalhos, acompanhados por longos períodos de estiagem, tinham caráter emergencial. A conclusão aconteceu em 1906. O Cedro, passado mais de um século, continua sendo um dos 20 maiores reservatórios do Ceará.


Mas a imponência da obra, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), contrasta com o passado e o presente de baixa acumulação. O açude já chegou a ficar completamente seco e, conforme o Dnocs, transbordou somente seis vezes em toda a história. O último sangramento começou em 12 de maio de 1989.


Data especial


O coordenador do Dnocs no Ceará, Eduardo Segundo, presenciou a última sangria. “Foi um espetáculo inesquecível”, resume. “A obra do Cedro foi quase artesanal. É uma obra de arte. E todo mundo quer ver quando sangra”, completa.


A sangria anterior havia sido registrada em 1986. E começou no dia do casamento da professora Lúcia Vidal Bezerra, 50. “Vi aquele véu (de água) descendo, uma maravilha. Sangrou com velocidade. Todo mundo correu para ver. Foi lindo, inesquecível”, recorda.


E-Mais


> O coordenador estadual do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Eduardo Segundo, disse que a construção do açude Cedro foi um reivindicação de maçons de Quixadá ao imperador Dom Pedro II.


> De acordo com a Prefeitura de Quixadá, o Cedro foi inaugurado em 20 de junho de 1906. A construção havia começado em 15 de novembro de 1890, conforme o Dnocs.


> A construção começou sob direção do engenheiro Ulrico Mursa. A obra foi finalizada pelo engenheiro Bernardo Piquet Carneiro. Ulrico dá nome a um estádio de futebol em Santos (SP), propriedade da Portuguesa Santista. Já Piquet Carneiro tem um município no Ceará com seu nome,na região Centro-Sul, a 332 quilômetros de Fortaleza. AÇUDE CEDRO Bacia: Banabuiú


> Capacidade: 126 milhões de metros cúbicos > Volume atual: 17% > Início do ano: 4,29% > Fim das chuvas/2008: 9,47% > Sangrias: 1924, 1925, 1974, 1975, 1986 e 1989 FONTE: Dnocs e Cogerh

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